quarta-feira, 25 de março de 2015

Moto dicas: Sete dicas essenciais para sobreviver de moto

Atenção aos perigos da via, manutenção constante e cuidado com outros motoristas são fundamentais para o motociclista

Texto: Geraldo Tite Simões 
 
Lembra daquele exercício que fazem no Exército, no qual os cadetes são jogados na selva e tem de sobreviver do jeito que der? Pois é assim que eu vejo alguns motociclistas de primeira viagem. A falta de um preparo adequado dos novos motociclistas promove essa sensação de solto no meio das feras e cada um sobrevive como dá!
 
O sucesso dessa sobrevivência dos soldados depende basicamente da instrução recebida e da capacidade de se adaptar ao meio. Com motociclistas não é muito diferente. Já que a formação padrão é vergonhosamente fraca, restam os cursos particulares ou a capacidade de entender o meio e se adaptar a ele.
 
Se fosse escrever um "Completo Manual de Sobrevivência do Motociclista" seria preciso um livro maior que a Bíblia. Mas dá para começar por alguns truques que não são ensinados na moto-escola normal e podem significar a diferença entre sair da floresta ou ser devorado.
 
Os quatro minutos
Essa teoria surgiu na Inglaterra nos anos 80 quando pesquisadores perceberam que a maioria dos acidentes de trânsito aconteciam a menos de quatro minutos da casa ou do local de trabalho/escola. De acordo com esse estudo, quando saímos de casa nosso cérebro precisa de alguns minutos para "esquentar" até entrar no módulo de vigilância. E quando estamos perto do objetivo, nosso cérebro meio que desliga das funções de pilotagem e começa a já se sentir no destino. Por isso a atenção do motociclista deve ser integral e especialmente alerta ao sair e chegar no perímetro da partida e do destino. Vale aquela recomendação de ligar a antena parabólica e só desligar junto com a moto!
 
Pontos cegos
Isso é um velho conhecido, mas bem esquecido. Se cada motociclista soubesse o quanto é difícil ver de dentro de um carro ele não ficaria zanzando de um lado pra outro no meio dos carros. A Honda fez uma série de animações que mostram o quanto é fácil não ver uma moto, mesmo quando ela está alinhada ao ombro do motorista. Pode procurar por "Honda - dicas de trânsito - ponto cego" no Youtube que vai achar esse filme impressionante. Ah e pela enésima vez: não adianta ser o chato buzinador que roda no corredor com o dedo na buzina porque de dentro do carro, com som ligado e vidros fechados o motorista nem sabe de onde vem o som!
 
Peso pesado
Rapaz, se um dia tiver a oportunidade de subir na cabine de um caminhão, suba! Lá de dentro, na posição de dirigir, o motorista não enxerga nada pra baixo e muito pouco para os lados. Se for do tipo cavalo + carreta o motorista tem visão muito limitada, mas se for os bi-articulados nem chegue perto. Além disso, caminhões demoram mais para desviar e quando carregados não freiam tão facilmente.
 
Sua moto não é carro
Por mais que a gente escreva à exaustão ainda tem gente que trata moto como se fosse um carro de duas rodas. Numa moto não existe estepe, nem limpador de para-brisa, nem ar-condicionado. A gente fica exposto aos rigores do clima e se der pepino na mecânica, adeus fim se semana. Um corrente frouxa pode causar acidente, se ela se soltar e enroscar na coroa pode travar a roda traseira. Como nosso veículo está apoiado apenas em dois pneus, se der pau em um, já era! Por isso a manutenção é tão mais vital na moto do que no carro. Cheque sempre itens como pneus, óleo, transmissão e sua sobrevivência na selva será mais tranquila.
 
Desconfie sempre
A regra de sobrevivência da espécie mais eficiente é: nunca subestime a capacidade de alguém fazer uma burrada. Mesmo se o farol estiver verde, olhe para saber se nenhum espertinho decidiu furar o semáforo. Nunca acredite em vias preferenciais e na dúvida pare e olhe. Isso se chama "pilotagem preventiva" que é a capacidade de ver antes.
 
Equipamentos
O ideal é evitar todo tipo de acidente, mais vai que... Nessa hora é bem melhor estar com um bom capacete, casaco de couro (ou sintético) com proteções internas, luvas e uma calça resistente. Sim, eu sei que no verão o sufoco é brabo, mas existem equipamentos específicos para o calor. E lembre-se: se você acha que equipamento bom custa caro não tem ideia de quão caro é um dia na UTI.
 
Frita o peixe e olha o gato
Se a antena parabólica está apontada para o trânsito, precisa ajustar para ver também o piso. Motos são muito leves em relação à massa total do conjunto. Pegar um buraco ou lombada de surpresa pode causar maior estrago. Se perceber que desconcentrou e "surgiu" um buraco ou lombada do nada bem na tua frente, tente frear, mas se perceber que não vai parar solte o freio e levante-se do banco para transferir a carga para as pedaleiras. Assim alivia a pancada nas rodas. E jamais passe num buraco ou lombada freando porque isso potencializa a pancada.
 
É curioso como algumas pessoas dão um super valor aos cursos de especialização quando se trata de aprimoramento profissional, mas não acreditam em cursos quando se trata de pilotagem de moto. Aí tira habilitação e nunca mais estuda o assunto, como se a moto-escola fosse capaz de dar toda instrução necessária.
 
Não dá e todo mundo sabe disso. Já existem projetos para que as moto-escolas incluam aulas em ruas e avenidas e até usem simuladores. Mas isso tudo ainda depende de votação e aprovação.
 
Enquanto não se decide é melhor cuidar do próprio umbigo e se inscrever em um dos vários cursos de pilotagem particulares que pipocam pelo Brasil. Se você investe tanto na qualificação profissional não tem porque não fazer isso para salvar a própria pele.
 
 
Geraldo Tite Simões
Geraldo Tite Simões
Jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br   

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Teste Harley-Davidson XR 1200 X

Harley-Davidson XR 1200 X - Uma réplica da moto que ganhou mais corridas de Flat Track nos EUA
Harley-Davidson XR 1200 X - A réplica da moto que mais corridas de "Flat Track" ganhou nos EUA
O ano era 1970. A Associação dos Motociclistas da América (AMA) mudava as regras das corridas de Dirt Track – Provas em circuito oval de uma milha ou meia milha em terra batida, nas pistas de cavalos de corrida. Até então as motos tinham que ter um máximo de 750cc e válvulas laterais, no estilo das “flat heads”, uma regra que claramente beneficiava as H-D.
Scott Parker, piloto da placa número 1 da Harley-Davidson teve o maior número de vitórias no esporte, até hoje
Scott Parker, piloto da placa número 1 da Harley-Davidson teve o maior número de vitórias no esporte, até hoje
A mudança foi feita para abrir a competição às motos japonesas e inglesas, com tecnologia OHV (válvulas no cabeçote) pois até então apenas o modelo KR da Harley-Davidson era competitiva, só ela ganhava. Por isso a fábrica de Milwaukee fez a XR750. Uma moto especial de competição, com cabeçote tipo OHV, pronta para as provas de Dirt Track. Mas também, com adaptações, ela se dava bem nas pistas de asfalto “road races”.
Essa moto ganhou 29 das 37 provas realizadas nos campeonatos nacionais norte americanos (Grand National Championships)  da AMA no período de 1972 até 2008. Essa era também a moto da grande personalidade da época, que fazia saltos incríveis (naquele tempo) – Evel Knievel.
Mas Scott Parker foi quem mais vitórias teve com essa moto nas corridas. Ele conquistou o título de “Rei da Milha” por vencer 55 provas do ” AMA Grand National Championship Races”. Em toda sua carreira, que terminou no ano 2000, obteve 94 vitórias e conquistou nove títulos do Campeonato Nacional Norte Americano.
A versão de rua da XR750 tem hoje 1200 cilindradas e equipamentos do estado da arte
A XR1200 X é a versão de rua da XR750. Tem hoje 1200 cilindradas e equipamentos do estado da arte
A versão “de rua” foi lançada no ano de 1985 com um motor de 1000 cc, chassi e outros componentes da Sportster. Mas dois anos depois foi descontinuada por não ter volume significativo de vendas. Apenas em 2008 voltou como o modelo XR 1200R na Europa e em 2009 nos EUA.
Filtro de ar foi movido para ficar abaixo do tanque, liberando mais espaço para a perna do piloto
Filtro de ar foi movido para ficar abaixo do tanque, liberando mais espaço para a perna do piloto
Agora, com a Harley-Davidson presente no Brasil essa moto volta a estar disponível aos brasileiros, com atualizações em vários de seus componentes. Continua sendo a mais pura representante das motos de competição da marca, que tanto sucesso fez na sua terra.
A XR 1200 X tem aparência simples mas acabamento de primeira
A XR 1200 X tem aparência simples mas acabamento de primeira e volta a fazer parte da paisagem urbana brasileira
Do modelo de competição ela herdou o visual, limpo e espartano da XR750, assim como as cores, que na atual, embora mais bonito no tom metálico, tem a mesma combinação, laranja e preto das H-D de corridas.
O torque do motor é o grande parceiro para as derrapagens controladas - diversão garantida
O torque do motor é o grande parceiro para as derrapagens controladas - diversão garantida
O motor V2 Evolution nessa moto tem a injeção em duto vertical - Grande radiador de óleo colabora com o ar para manter o motor em temperatura normal de trabalho
O motor V2 Evolution nessa moto tem a injeção em duto vertical
Se destaca o aspecto “marítimo” do banco-rabeta que remonta da época das AMD Harley-Davidson (Nos anos 70 essa empresa comprou uma fábrica de barcos de fibra de vidro. O equipamento dessa indústria foi usado para fazer carenagens e rabetas).
O motor Evolution 1200 cc tem embreagem e câmbio integrados e recebeu a ajuda de outros componentes para fazer com que o conjunto ficasse mais homogêneo. No chassi, foi agregada suspensão invertida na frente, com todas as regulagens disponíveis. E atrás, uma balança de alumínio fundido é suportada por dois amortecedores tipo “piggyback” (com reservatório de óleo externo) também totalmente ajustáveis.
Panel simples mostra que esse motor tem rotação mais alta que o normal para uma Harley...
Panel simples mostra que esse motor tem rotação mais alta que o normal para uma Harley... O tacômetro vai a 6.900 rpm
Reconhecendo a moto como um puro-sangue americano, é esperada uma posição confortável para o motociclista e ele não vai se desapontar. O guidão é largo e o banco estreito para uma boa postura. Isso facilita o controle da moto em curvas, sem provocar cansaço. Mas esse banco foi pouco adaptado para as condições de uso normal. É estreito para oferecer uma boa pegada do tanque com o joelho, fazendo apoio nas curvas, buracos e mudanças rápidas de direção. Mas ele é pouco confortável para longos trechos de pilotagem.
E a ausência do tradicional filtro de ar junto à perna direita vem ajudar nesse aspecto. Na verdade ele está agora sob o tanque, deixando a sua entrada de ar bem à frente, entre o cabeçote dianteiro e o tanque propriamente dito. Se for levar um garupa, que seja por menos de cinco minutos, o conforto é precário.
Os grandes escapamentos recebem toda atenção na lateral direita da moto
Os grandes escapamentos recebem toda atenção na lateral direita da moto
Ligue o motor e “sinta” o ronco grave dos grandes escapamentos, reforçado pelo som que vem da caixa de ar. Conforme você muda a aceleração uma borboleta muda o volume da entrada de ar, mudando também o barulho. Na hora de acelerar forte, esse som é liberado e toda energia do motor também é liberada.
A primeira marcha é longa, mas com o grande torque em baixa rotação do motor é fácil andar com ela no trânsito. Apenas quanto ao espaço que ela ocupa você vai se preocupar um pouco. É uma moto longa para fazer com facilidade manobras mais fechadas e o largo guidão demanda um espaço a mais também. Mas na saída de um semáforo por exemplo, a arrancada é fenomenal e o motor parece que nem faz força.
Nessas horas é que você percebe a natureza esportiva desse motor Evolution. Perto de 4000 rpm ele dá um surto de força que vai fazer toda diferença. Se quiser uma performance de “pista”, use-o nessa faixa, entre 4500 e 6500 rpm. Você vai achar ai, toda a força do motor.
E o câmbio não faz por menos. Trocas rápidas que se encaixam bem na faixa de torque do motor e proporcionam ótima aceleração e velocidades altas são obtidas num piscar de olhos. Os engates da primeira marcha podem ser barulhentos se a moto está parada, mas a embreagem tem um acionamento relativamente leve para a cilindrada do motor. A transmissão final, por correia, dispensa comentários. Sem barulho e sem sujeira ela passa despercebida por muito tempo, antes de precisar de manutenção.
Amortecedor a gás, com reservatório remoto mantém a traseira sob controle
Amortecedores a gás, com reservatório remoto e todas as formas de ajustes possíveis mantém a traseira sob controle
A moto faz curvas com facilidade, com a ajuda dos pneus radiais 120/70 – 18 na dianteira e 180/55 – 17  na traseira. A suspensão, com as várias combinações de ajustes possíveis responde sempre com precisão aos obstáculos que nossas ruas e estradas apresentam. O ajuste de fábrica se mostra bem adequado para um piloto na faixa de 80 a 90 kg e as orientações do manual são bem detalhadas para se obter ajustes adequados a cada piloto, seja no peso ou na forma de tocar a moto.
Na frente, as bengalas são invertidas, com regulagens na pré carga da mola, compressão e retorno da suspensão. Ela tem boa rigidez estrutural e com as amplas regulagens é possível adequar às situações mais diversas de uso. Mesmo com um ângulo bastante pronunciado do rake, o funcionamento não apresenta muito grude, ou “stiction”. Essa é uma característica, comum em garfos invertidos que apresentam muito atrito interno entre as peças, dificultando o início do movimento, principalmente na compressão.  Resulta em um rodar áspero em piso com rugosidades pronunciadas. Na XR 1200  X essa característica não é muito acentuada.
Geometria rápida para uma Harley-Davidson, ainda mais com as bengalas em ângulo diferente do eixo da direção
Geometria rápida para uma Harley-Davidson, ainda mais com as bengalas em ângulo diferente do eixo da direção
A moto pesa 260 kg em ordem de marcha e seu motor proporciona por volta de 90 cv (estimado, a fábrica não divulga). Assim, sua relação peso/potência fica longe das motos esportivas de muitos outros fabricantes, mas o grande torque e a postura natural de conduzir faz um bom conjunto na sua ciclística. Resulta que a dirigibilidade traz respostas rápidas com poucos movimentos do piloto e a suspensão combina muito bem com o resto da moto, mantendo essas características em quase todo tipo de piso. Pequenos movimentos são percebidos, de oscilações na traseira em momentos em que maiores esforços são aplicados ao chassi, principalmente entrando ou saindo rapidamente de curvas.
Enfim, uma moto esportiva. Réplica de uma campeã dos anos 70 não poderia deixar de ser um pouco antiquada, mesmo com os equipamentos de última geração. Mas o peso dessa história, somado ao estilo imponente dela, pode fazer toda diferença ao consumidor.
preços ref. maio 2013

Motos já igualam carros em itens de conforto e segurança

BMW K 1600 GTL tem faróis direcionais, item que vários carros de luxo não oferecem nem como opção
BMW K 1600 GTL tem faróis direcionais, item que vários carros de luxo não oferecem nem como opção

Os donos de carro de luxo estão acostumados ao requinte e ao conforto de equipamentos como câmbio automático, faróis direcionais e de xenônio, cruise control, controle automático do volume do som, entrada para iPod, tomada de 12 V etc. Mas muitos motoristas (e motociclistas) ficarão surpresos ao saber que esses sistemas estão disponíveis em diversas motos.
Entre as situações que fazem o motociclista sofrer, encarar o frio é a mais temida. Até mesmo atletas bem preparados sucumbem à hipotermia quando expostos a baixas temperaturas. O UOL noticiou, no ano passado, o drama da nadadora brasileira Poliana Okimoto quedesmaiou nas Olimpíadas de Londres por causa do frio intenso.
Para auxiliar o piloto a enfrentar baixas temperaturas, muitas motos já vêm equipadas com aquecedores nas manoplas e até nos bancos. Tudo bem que no verão esses equipamentos podem parecer inúteis, mas experimente viajar para as serras gaúcha e catarinense durante o inverno. Certamente seu acompanhante gostará da ideia de poder regular o aquecimento de seu banco de forma independente.

Na americana Harley-Davidson Ultra Classic Electra Glide CVO, a mais requintada da marca, existem controles individuais da temperatura dos assentos. E o piloto ainda tem aquecedor de manoplas e piloto automático -- tudo por R$ 105 mil.
Já a alemã BMW K 1600 GTL oferece esses recursos e ainda acrescenta um sistema de som com entrada para MP3 e iPod. Um acessório permite a conversa entre os dois ocupantes da motocicleta pelo sistema Bluetooth, totalmente sem fios. Faróis de xenônio e direcionais são outros destaques dessa moto de luxo, avaliada em R$ 108,5 mil.
Se você está acostumado às comodidades do câmbio automático em seu automóvel, saiba que o piloto da Honda VFR 1200F também pode contar com esse conforto. Sem pedal ou manete de embreagem, essa sport-touring avaliada em R$ 70 mil deixa o piloto livre de preocupações: se a moto vai morrer ou não nas saídas de farol; o cansaço de acionar a embreagem nos congestionamentos; e até mesmo as constantes trocas de marchas em uma longa viagem.

SEM PATINAR
Para os fãs do controle total sobre a moto, é possível fazer a troca de marchas de modo manual, acionando dois botões no punho esquerdo. O mesmo sistema está disponível na bigtrail Honda Crosstourer. Entre as motos nacionais, apenas esses dois modelos dispõem do câmbio automático.
Avaliado em R$ 40 mil, o maxiscooter Suzuki Burgman 650 (que pertence a outra categoria de veículos de duas rodas) também oferece câmbio automático, inclusive a troca de marchas manuais -- e esse imenso "sofá sobre rodas" traz outros comandos dignos dos carros de luxo, como o controle elétrico para recolher os retrovisores e para subir e descer o para-brisa.

O controle de tração, item de carros mais sofisticados e/ou esportivos, já faz parte do mundo das motos. E não nos referimos às motos de alto luxo: modelos como a BMW F 800 GS, de R$ 43 mil, já apresenta esse sistema de segurança ativa. O piloto pode acelerar sem preocupação em piso de qualquer condição. Os sensores enviam informações à central eletrônica que gerencia a rotação da roda traseira. Tudo para não perder o controle da moto e garantir uma pilotagem mais segura.
Em motos de alta performance, como a Ducati Diavel (R$ 69.900), é possível escolher o nível do controle de tração. Se o motociclista for adepto de uma pilotagem mais radical, tem a opção Sport 1. Para viagens mais tranquilas, pode escolher o Touring e até o modo Urban. São oito níveis de controle de tração à disposição do piloto, que podem ser escolhidos facilmente no painel de LCD sobre o tanque.
SEM TRAVAR
Quando se fala em segurança nos automóveis, sempre vem à mente sistemas como ABS (freio com sistema antitravamento) e airbags. Eles são tão importantes que serão obrigatórios em todos os carros vendidos no Brasil em 2014.
Nas motos, o ABS já pode até ser considerado banal, pois está disponível em modelos médios como a Honda CB 300R (cerca de R$ 13.700). Apesar da "popularização", o público ainda não entendeu a importância do ABS, que aliás será obrigatório nas motos acima de 125 cc na Europa a partir de 2016.
Ao falar em proteção, outro dispositivo muito curioso nas motos é o airbag. Isso mesmo: a bolsa inflável é item de série na imponente Honda Gold Wing (R$ 92 mil). O modelo vem equipado com tudo que um motociclista pode sonhar em termos de conforto, mas o airbag realmente destaca essa moto das demais. De quebra, ela ainda oferece uma marcha à ré, para facilitar as manobras. Não é muita mordomia?
O modelo também oferece diversos luxos, entre eles o sistema de som que aumenta o volume de acordo com a velocidade da moto e o cruise control (também conhecido como piloto automático).

Ou seja: as motos já não estão devendo nada para os carros quando o assunto é conforto e segurança.

Cícero Lima foi diretor de redação da revista Duas Rodas

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Triumph Daytona 675 R chega ao país por R$ 48.690; leia impressões

  • Objetivo é claro: a Daytona 675R 2013 chega ao Brasil para ameaçar com força a concorrência
    Objetivo é claro: a Daytona 675R 2013 chega ao Brasil para ameaçar com força a concorrência
Feliz com as vendas dos últimos seis meses (após retornar ao mercado brasileiro), a Triumph finalmente passa a vender sua principal superesportiva no Brasil. A Daytona 675 R, montada em sistema CKD em Manaus (AM), chega em junho por R$ 48.690.

A moto não sofreu apenas mudanças estéticas, mas foi totalmente reformulada -- apesar de ter mantido o motor de três cilindros de 675 cc (ele ganha três cavalos extras, chegando aos 128 cv). Além disso, o chassi é novo e o escapamento foi reposicionado para melhorar a distribuição de peso.

Suas linhas ficaram mais agressivas e os conjuntos ópticos foram renovados. Novas suspensões, auxílios eletrônicos e 1 kg a menos (agora 184 kg) são outras novidades.

NO PAPEL
As modificações no motor são substanciais. O diâmetro e curso dos pistões foram redimensionados, passando de 74 mm x 52,3 mm para 76 mm x 49,6 mm, e projetados para aumentar a rotação máxima do conjunto (500 rpm a mais, segundo a fábrica). A taxa de compressão aumentou de 12.65:1 para 13.1:1.

Os cilindros agora contam com dois injetores, virabrequim está 5% mais leve e um raspador de óleo no cárter inferior passa a remover o líquido das teias de manivela.

O modelo também recebeu sistema de embreagem deslizante, chamado de slip-assist. O equipamento previne que a roda traseira da moto "salte" durante reduções de marcha mais bruscas. Isso permite entrar mais suavemente em curvas. A novidade, de acordo com a Triumph, deixa o acionamento do manete 25% mais leve.

Para completar o sistema de transmissão, o modelo vem equipado com o "quick-shift", sistema de mudança rápida de marcha. O recurso permite subidas de marchas sem embreagem, modificando o tempo de corte da ignição de acordo com a velocidade e a rotação do motor.

Mudar o escapamento de lugar não apenas deixou a motocicleta mais equilibrada, como também permitiu o reposicionamento do motor, assim como a alteração de sua geometria. Segundo a Triumph, um dos principais objetivos era melhorar a agilidade. O entre-eixos foi reduzido em 20 mm e agora está com 1.375 mm, graças à inclinação mais acentuada do garfo dianteiro, que passou de 23,9º para 23º.
A suspensão dianteira continua a mesma Öhlins NIX30, mas ganhou 10 mm de curso e reduziu o atrito, oferecendo controle mais preciso de amortecimento e uma maior faixa de regulagens. Na traseira, a atuação do amortecedor Öhlins TTX36 foi revisado por conta do reposicionamento do escapamento.

A nova 675 R vem com freios ABS ajustáveis em três modos: off (desligado), on (ligado) e Circuit -- este último reduz a intervenção do ABS em condições secas e permite que a roda traseira deslize um pouco na entrada da curva.

NA PISTA
Apesar da nova configuração do motor valorizar altas rotações, o torque em baixos e médios giros não foi sacrificado. O piloto pode engatar terceira marcha e acelerar de forma progressiva -- o motor subirá o giro rapidamente.

Ao acionar os freios em uma entrada de curva, feita em terceira marcha, os dois discos flutuantes dianteiros de 310 mm, com pinças monobloco radiais Brembo de quatro pistões, e o disco traseiro de 220 mm impressionaram.

A moto é estável quando exigida e oferece incrível facilidade de pilotagem, apesar da posição esportiva. As saboneteiras (raspadores de joelho, ou "knee sliders") riscam a zebra com a 675 R inclinada. Na saída da curva, uma dosagem progressiva no acelerador garante maior aderência dos pneus.

A configuração de suspensão utilizada foi a mesma que a das motocicletas das concessionárias: um "set-up" mais firme na dianteira, próprio para utilização esportiva, e um acerto em meio termo -- estrada e pista -- na traseira. A sensação foi positiva, transmitindo confiança e esportividade.

Nas saídas de curva, sob forte aceleração, a moto pode balançar um pouco, mas nada que um ajuste preciso não corrija. A combinação entre as suspensões Öhlins e os pneus Pirelli não podia ser melhor. A 675 R é precisa.

A rotação do motor girou, em média, acima das 8.000 rpm, o que é tranquilo se pensarmos que ela atinge 14.400 rpm. Acima dos 11 mil giros o motor responde muito rápido, até mesmo em aceleradas mais suaves.

Triumph Daytona 675 R 2013
+ Motor: Três cilindros opostos, 675 cm³, 4 válvulas/cilindro, refrigeração líquida.
+ Potência: 128 cv a 12.500 rpm.
+ Torque: 7,54 kgfm a 11.900 rpm.
+ Câmbio: Seis marchas.
+ Alimentação: Injeção eletrônica.
+ Dimensões: 2.045mm x 695 mm x 1.112 mm (CxLxA).
+ Peso: 184 kg em ordem de marcha.
+ Tanque: n/d.
+ Preço: R$ 48.690

CONCLUSÃO
A Daytona 675 R 2013 sente-se muito mais à vontade quando está próxima do limite se comparada à versão anterior. Faz exatamente o que piloto manda. Beira a perfeição no quesito pilotagem esportiva.
A superesportiva competirá com a Honda CBR 600 RR (R$ 50.900 com ABS), Kawasaki Ninja ZX-6R 636 (R$ 52.990 com ABS) e Suzuki GSX-R 750 (R$ 49.900sem ABS). A nova Daytona 675 R será vendida apenas na cor branca.
A versão standard não será lançada, mas a marca afirma estar preparando mais lançamentos -- que devem ser apresentados em outubro, no Salão Duas Rodas 2013.

Morre o primeiro piloto na edição 2013 do TT Isle Of Man


A TT Isle Of Man, competição mais desafiadora do motociclismo mundial amanheceu de luto nesta terça-feira, 28, após a confirmação da morte do piloto japonês Yoshinari Matsushita, de 43 anos. O piloto se acidentou durante os treinos classificatórios, em Ballacrye, região norte da ilha.
Matsushita realizava a sua quarta participação na competição e já chegou a terminar a prova TT Zero, onde correram com motos elétricas , na quinta posição. Não foram divulgadas informações sobre como ocorreu o acidente. A equipe da TT Isle Of Man garante que já iniciaram as investigações.
Foto: Divulgação


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mora em São Paulo? Boa sorte!



Olá, meu nome é Rodrigo, sou um analista de sistemas, casado, motociclista a 3 anos e completamente APAIXONADO pela vida em 2 rodas, como mostra a descrição deste blog. Mas o mais interessante é que: Não tenho moto!

Eu tinha, tá vendo essa belezinha aí em cima? pois é, eu tinha uma igualzinha, comprei a poucos meses. Foi meu sonho de consumo desde quando lançada no Brasil em 2010 (ano dela inclusive!).

Na terça, dia 21/05/2013, estávamos minha esposa e eu a caminho do trabalho, quando exatamente às 06:51 da manhã, somos abordados por 2 meliantes a bordo de uma BMW 650 GS, que covardemente apontam uma pistola semi-automática para a minha ela, afim de evitar qualquer tipo de reação da minha parte (Claro, covardes sempre se garantem ameaçando o maior bem que sua vítima possui: esposa, filhos...).

Em cerca de 3 minutos levaram tudo: meu capacete, jaqueta, documentos, celular, mochila, bolsa da minha esposa, com o celular e documentos dela dentro, me deixando com a roupa do corpo e curiosamente minha esposa com o capacete dela (que não é ruim não, ao contrário, um excelente capacete). Ao evadirem, nos deixaram graças a DEUS vivos e inteiros, mas vivos e inteiros fisicamente, porque ambos morremos um pouco naquele momento, psicologicamente, financeiramente, moralmente...

Após o procedimento padrão (Acionar a polícia, a empresa de rastreamento, meu sogro p/ nos buscar no meio da avenida...) estamos tentando seguir a vida, mas algumas questões simplesmente não saem da mente:

Onde esta cidade vai parar? já viu as pesquisas recentes? olha só isso:

"A incidência de roubos de motos desafia a polícia de São Paulo. Em apenas três meses, 3,8 mil motos foram roubadas só na capital, e apenas 62 foram recuperadas."

Em 3 meses, 3.800 motos foram roubadas apenas na cidade de São Paulo. 3.800!!!! E AINDA TEM SECRETÁRIO DE SEGURANÇA PÚBLICA VINDO À PÚBLICO DIZENDO QUE A CRIMINALIDADE ESTÁ CAINDO???? E olha só quantas recuperadas, apenas 62! Ou seja, p/ quem é devagar na matemática (como eu!), 3.738 motociclistas perderam seus bens, muitos deles suas vidas, p/ alimentar uma corja de malditos que riem das nossas caras na maior, desmontando e vendendo nossas suadas motos p/ outros malditos otários, que acham que estão na vantagem, por comprar peças mais "baratas" por aí. 3.738 motos compradas com muita luta, simplesmente viraram drogas, bebidas, prostitutas, e outras coisas mais nas mãos de desgraçados que simplesmente não tem nada a perder, e levam o que tanto nos custa.

A falta de segurança na cidade de São Paulo já é assunto batido, mas vale a pena lembrar de alguns fatos: Motos acima de 250cc (o que convenhamos não é muito), pagam ao governo 64.65% em impostos, olha que bom! Experimenta pegar o valor da sua moto 0km, e subtrair 64.65% dela p/ ver o que sobra... Tomando por exemplo uma Kawasaki Er6n 0km, com ABS e tudo que tem direito, temos o seguinte:


Valor da moto: R$29.990,00
Valor dos impostos: R$19.388,53
Valor real da moto: R$10.601,46

Acho que fica fácil perceber que, nós motociclistas, e claro, todos os consumidores em geral, somos assaltados muito antes de algum bandido nos apontar uma arma, e o engraçado é que nós escolhemos quem serão os homens que vão nos assaltar. Quando? A cada 4 anos, em urnas modernas e eletrônicas.

Falo isso não por ser um anarquista, e contra a cobrança e pagamento de impostos, mas pelo simples fato de que esses impostos não são utilizados para nada a não ser encher os bolsos daqueles que deveriam cuidar de nós.

Segundo roubo: Alguém arrisca dizer qual é o valor médio para o seguro de um bem desses? Em média R$4.000,00. Ou seja: Tirando os impostos da moto, que não são a moto e já ficaram com o governo, cerca de 40% do valor real da sua moto é pago em um seguro, isso se você não sofrer nenhum sinistro né? caso contrário, pense em renovar p/ ver.

Terceiro roubo: Financiou a moto? Xíí... Prepare-se p/ no final das contas, pagar por 2 a 2,5 vezes o valor da mesma, enquanto ela desvaloriza p/ até 50% do que você pagou. Gostoso né?

Existem muitos outros roubos a mencionar, mas vou deixar p/ outras matérias, você já deve estar revoltado o suficiente. O ponto onde quero chegar é que: São Paulo tornou-se uma prisão gigantesca. Nós somos os prisioneiros, passamos pelo menos 8 horas em trabalhos forçados, mal vemos a luz do sol, e ainda somos diariamente abordados por um bando de marginais impunes, dispostos a matar e morrer p/ tomar o pouco que com tanto esforço conquistamos.

Amanhã tem mais!!